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SAÚDE
A escolha da prótese
Muito bem, você é amputado, está em processo de reabilitação
e chegou a hora de escolher a prótese.
Como fazê-lo?
Eu acho que dificilmente um amputado terá condição de,
sozinho, sem nunca ter ao menos visto uma prótese, fazer
uma escolha acertada de maneira consciente. O paciente,
marinheiro de primeira viagem, deve procurar um médico
de reabilitação que tenha, sabidamente, conhecimento para
orientá-lo e fazer a sua prescrição protética. Mesmo o
profissional experiente, dependendo do caso, pode ter
alguma dúvida em relação a componentes e tipo de encaixe.
O ideal é que o paciente receba a maior carga de informação
possível e, baseado nisso e no custo dos componentes,
ajudar o médico a fazer sua escolha.
Esta situação é bem diferente da situação do amputado
experiente, que já vem usando prótese há alguns anos e,
ao optar por uma troca de aparelho por qualquer razão,
tem bem delineado na mente o aparelho que melhor lhe convém.
Isto, em outras palavras quer dizer: se você é um amputado
recente, procure um médico que possa ajudá-lo a escolher
o aparelho mais adequado para o seu caso.
O tipo de pé protético, joelho mecânico, o encaixe a ser
usado, tudo isso pode variar muito, dependendo da causa
da amputação, da idade do paciente, do nível de amputação,
e outros critérios mais.
O coto de amputação precisa ser preparado cuidadosamente
antes de ser moldado para a feitura do encaixe.
Este preparo inclui, além dos exercícios para recuperar
e manter a função das articulações, o enfaixamento do
coto com faixa elástica até que a sua forma se estabilize.
Ainda assim, com o uso da prótese, o coto deve mudar a
sua forma ainda mais, necessitando ajustes freqüentes
e até mesmo a troca do encaixe protético depois de alguns
meses. Para prevenir problemas como dor, ferimentos, calosidades,
pistonagem excessiva da prótese, etc, são necessárias
visitas constantes ao centro de reabilitação, para que
os problemas sejam detectados e corrigidos o mais rápido
possível, evitando, desta forma, conseqüências mais graves.
Nenhuma prótese pode ser entregue acabada sem que o paciente
tenha sido treinado exaustivamente no seu uso, no ambiente
adequado, até que o encaixe esteja confortável e o alinhamento
dinâmico tenha sido feito. Isto vai ocorrer à medida que
o paciente conseguir descarregar melhor o peso do corpo
sobre o aparelho.
Também o encaixe da prótese, caso seja necessário, poderá
ser trocado a um custo muito menor, enquanto ela não estiver
acabada.
Um aparelho protético só estará bem ajustado depois de
testado, treinado e alinhado durante o uso pelo paciente.
Não existe outra possibilidade. Qualquer proposta diferente
deve ser entendida como uma tentativa de iludir. Tirar
"medida", fazer uma ou duas provas e depois chegar com
uma prótese acabada, dizendo que a dor e os ferimentos
são normais e que no fim tudo se ajusta como numa dentadura,
é mentira deslavada, e quem faz isso está agindo de má
fé.
O amputado recente é presa fácil de indivíduos inescrupulosos
por não conhecer o assunto, estar fragilizado e cheio
de expectativas que muitas vezes não são reais. A melhor
maneira de evitar estes danos é procurar um serviço de
reabilitação reconhecido e ser tratado como paciente,
nunca como freguês.
Dr. Marco Antonio Guedes de Souza Pinto
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