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FISIOTERAPIA
A reação
do músculo ao treinamento
O tecido muscular tem
seu conteúdo proteico
em fluxo contínuo de síntese
e degradação. Durante
o exercício, a síntese
proteica diminui, ao passo
que a degradação aumenta;
esse padrão se reverte
durante a recuperação
pós-exercício, chegando
a ocorrer síntese superior
à normal. A velocidade
destes processos varia
de acordo com a demanda,
ou sobrecarga, imposta
ao músculo.
Os mecanismos de adapatação
do tecido muscular ao
treinamento envolvem a
hipertrofia e a hiperplasia.
Na hipertrofia há aumento
de miofibrilas, de filamentos
de actina e miosina, do
sarcoplasma e do tecido
conjuntivo, ou uma combinação
destes. A hiperplasia,
que é o aumento no número
de células do músculo,
ainda é muito questionada,
em função do músculo possuir
limitada capacidade de
proliferação. No entanto,
em um estudo que utilizou
treinamento com alta carga
de resistência, a avaliação
microscópica identificou
divisão da célula muscular
com subsequente crescimento
e formação de duas novas
células a partir de suas
metades, o que aumentou
em até 9% o número de
células original.
A respeito do aumento
de força ocasionado pelo
treinamento, é importante
enfatizar que o componente
excêntrico das contrações
isotônicas ou dinâmicas
- isto é, a desaceleração
dos movimentos - causa
aumento significativo
tanto na área de secção
transversal do músculo
como em sua força, o que
chega a ser 10 vezes superior
quando comparado aos aumentos
causados por contrações
concêntricas - ou de encurtamento
do ventre muscular. Para
o corredor ou triatleta,
o componente excêntrico
das contrações pode ser
enfatizado, com o objetivo
de aumentar a força, tanto
através de treinamento
com resistência (com pesos
ou aparelhos, como na
musculação) como através
de exercícios específicos
como no treinamento de
pliometria ou em corridas
em ladeiras - especialmente
nas descidas.
Dor Muscular Aguda
Surge no momento do exercício
e pode levar minutos a
horas após seu término
para desparecer. Ocorre
por acúmulo de produtos
metabólicos decorrentes
do exercício, como íons
H+, e por edema tecidual,
causado pelo desvio de
líquido (plasma) do sangue
para o interior dos tecidos.
Dor Muscular de Início
Retardado (DMIR)
Se manifesta 24 a 48 horas
após o exercício. A redução
dos efeitos da DMIR é
importante para maximizar
ao ganhos decorrentes
do treinamento. Um método
é iniciar o treinamento
em intensidade baixa e
progredir lentamente ao
longo do tempo, principalmente
quando o programa de exercícios
priorizar as contrações
excêntricas, um dos principais
indicadores da DMIR.
Há certo tempo acreditava-se
que o acúmulo de ácido
lático era o principal
responsável pela dor muscular.
No entanto, já se sabe
que os níveis de lactato
na corrente sanguínea
durante a DMIR, não estão
significativamente alterados.
Estuda-se atualmente dois
principais mecanismos
para a DMIR.
Lesão Estrutural. O aumento
de 2 a 10 vezes acima
do normal no nível sérico
de enzimas musculares
após o exercício intenso
sugere dano estrutural.
Já foi constatado através
de fotomicrografia, ruptura
de sarcolema (a membrana
que envolve a célula muscular)
com extravasamento de
conteúdo celular entre
as fibras normais; porém,
nem todas as lesões são
tão graves. Em sua maioria,
provocam alterações nos
filamentos contráteis
e nas linhas Z, que são
responsáveis por oferecer
suporte estrutural à transmissão
de força na contração
muscular. No entanto,
as concentrações séricas
enzimáticas podem aumentar
e as fibrras musculares
podem ser lesionadas durante
a atividade muscular da
vida diária, o que não
produz dor, e indica uma
contribuição apenas parcial
para a DMIR.
Inflamação. Há aumento
da contagem de células
imunitárias (leucócitos)
após atividades que induzem
a dor muscular. Células
mononucleares do músculo
são ativadas pela lesão
estrutural decorrente
do exercício, fornecendo
estímulo químico para
a agregação de células
imunitárias presentes
no sangue (quimiotaxia)
e início do processo inflamatório.
A causa exata da lesão
estrutural através dos
exercícios e os mecanismos
de reparação ainda não
foram esclarecidos completamente;
porém, as evidências sugerem
que a lesão estrutural
é um mecanismo importante
para a hipertrofia muscular.
Dra. Thaís Guisande
fonte (http://www.treinoonline.com.br)
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